Hoje trago-vos uma história curiosa sobre o vinho do Porto. A notícia é do final de 2018, mas merece ser contada neste e nos próximos anos. Houve uma garrafa de vinho do Porto Niepoort de 1863 que foi vendida por 111 mil euros, num leilão em Hong Kong, numa garrafa magnum, de 1,5 litros, criada pela Lalique no início do século XX. Deixem-me voltar atrás para contar a história. Esta colheita de 1863 é, desde sempre, uma referência na memória do vinho do Porto, sobretudo por ser a última grande vindima do Douro antes do ataque da praga filoxera (a mais devastadora de sempre na viticultura mundial). Em 1905, os antepassados da actual figura da casa, Dirk Niepoort, fundada por holandeses em 1842, transferiram uma parte do vinho que tinha estado desde 1863 em cascos para 11 demijohns (garrafões de vidro com capacidade para oito a 11 litros) e, ao longo dos anos, a maior parte do vinho foi usado em lotes para fazer os Portos da casa. Do último fizeram-se cinco magnuns de 1,5 litros, cada qual com o nome de um membro de diferentes gerações Niepoort, engarrafados num modelo especial criado pela marca francesa Lalique – a que foi vendida prestava homenagem a Eduard Karel Jacob van der Niepoort. Foi arrematada por 111 mil euros e as vendas revertem a favor da organização nacional sem fins lucrativos The Nature Conservancy.
Em breve, trago-vos outros episódios.
